Keynes na hora errada
No desespero de salvar o mercado da crise os governos estão aplicando todo o receituário keynesiano que tão duramente foi excomungado e banido do sistema de livre mercado. Contudo, na aflição de salvar o dito paciênte - o mercado - de um colapso iminente resolveram aplicar um remédio que deveria ser ministrado após a operação do dito enfermo, e NUNCA ANTES.
Explico: a critica vai no sentido de que, para Lord Keynes, o seu remédio - e todo o seu pensamento teórico - é administrado para o paciente que já sofreu o acidente e não antes de passar por ele. Keynes não recomenda medicamentos quando se está no meio de um estado convulsivo. Ou aconselha antes, para que o paciênte tenha uma vida saudável e longa, ou receita o remédio depois, caso o paciente não tenha seguido as orientações médicas. Mas nunca no meio da convulsão (ou confusão, como queiram). Ou seja, na sua “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, Keynes estabelece que só o governo pode tirar o mercado da crise pois só ele tem o volume de recursos disponível para criar uma demanda suficiente onde o mercado simplesmente não consegue gerar sua demanda por estar em um circulo vicioso de baixa (deflação por demanda). Assim, querer aplicar os recursos financeiros do Estado para auxiliar o mercado antes que este precise é jogar fora recurso indispensável para ser usado em programas sociáis que minimizem os problemas para o cidadão comum durante a crise e, ainda, adiar o inevitável: a quebradeira geral.
O procedimento óbvio - se se está pensando em usar Keynes para isso - seria esperar, infelizmente, o mercado retornar a níveis onde a taxa de lucro volte a apresentar horizontes de crescimento (o fim do poço das quebradeiras e com ele, desemprego em massa, falências, fome, guerras e por aí afora) e aí, e somente aí, aplicar-se o remédio keynesiano de entrada do Estado no mercado para gerar-se a devida demanda do crescimento.
O caminho embora óbvio de se deixar o mercado à própria sorte é, também óbvio, difícil de ser adotado pois, na guerra por ser o último a apagar as luzes do “nível de rentabilidade mundial” e sair da festa do cenário - mercado - economico, ninguem quer, simplesmente, se deixar quebrar. Ficamos então nesta sinuca economica, social e política. Econômica porque a crise somente se afasta a alguns palmos para que o ”mercado” tenha tempo de se despedir de seu patrimônio. Social porque o dinheiro do Estado pertence ao contribuinte que, no fim das contas, é quem vai pagar todas as contas do “mercado irresponsável”. E, por fim, político porque nessa “nova ordem econômica” as forças políticas entre Estado nacional e lobbys sedentos de influência de poder jogam o braço de ferro para ver quem conquista os farrapos das sobras da crise angariando pontos para o futuro do mercado.
Quem está certo ? Democratas ou Republicanos ? Acho que Jesus: “Amai-vos uns aos outros como a tí mesmo !” Manda quem pode, obedece quem tem juizo, já dizia o ditado. O mercado não ouviu o sermão da montanha russa. Agora, nem Sir Keynes ajuda, mesmo porque, ele só queria que o mercado sobrevivesse até que ele se fosse.
Afinal, “no longo prazo… estaremos todos mortos !”
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