A burrice do preconceito

Outro dia numa conversa entre estudantes de economia perguntaram-me qual a minha tendencia ideológica e eu disse: “Sou comunista !”.
Essa frase bastou para que o meu interlocutor respondesse de pronto: “Deus me livre !”. Contudo, sei que ele nunca leu “O Capital”, não conhece os preceitos e premissas do marxicismo e, muito menos, do capitalismo ao qual defende. Nunca leu Adam Smith, Ricardo ou mesmo Walras e Marshall (o que dirá Jevons). Então me peguei pensando que, essa pessoa, de boa indole e excelente pessoa (sei porque convivo frequentemente no ambiente academico com ela) nasceu pós queda do muro de Berlim. Nunca teve a chance de ter opções - quiçá escolhas. Nunca tomou, portanto, contato com outras teorías. Assim, o seu “pré conceito”, vem de seu meio e de sua educação.

Ora, em outros tempos, o estudante - e principalmente de economia - devería ter muita coragem para admitir o contrário. Ou seja, de que sua tendencia ideológica era pelo “Livre mercado”. Daí poderíam me dizer: “Mas isso já faz séculos !” O engraçado é que as coisas mudaram tão rapidamente que pouco mais de 20 anos bastaram para que o “Deus me livre !” fosse invertido.

No entanto, o que mais me incomoda no momento é a idéia em sí do “pré conceito”. Afirmo que o dito é uma burrice em sí mesmo já que, pelo cansaço do pensar por sí, adotamos pensamentos (conceitos) de terceiros. Esta, portanto, seria a primeira burrice. A segunda, e mais grave ainda, está em não se avaliar que a pessoa da qual adotamos o conceito “pode estar completamente errada” ao passo que nos tornamos coniventes com uma mentira. A mentira, por sua vez, distorce a realidade fazendo com que enveredemos por caminhos que não nos levarão ao contato mais intimo com os objetivos mais nobres do homem, que sejam: Felicidade, harmonia, realização, liberdade.

Assim, quando se estabelece uma realidade calcada na mentira, não enganamos a nós mesmo ou aos que estão à volta. Traímos, em última instância, a toda busca da humanidade.

Portanto, que sejamos Marxicistas ou Marshalianos, o que importa é sermos verdadeiros em nossas posições. Sermos esclarecidos em nossas idéias para que possamos caminhar sempre para a verdade.

Se errarmos, pelo menos que sejam os nossos próprios erros e jamais erros de outros !

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