Algumas coisas devem ser entendidas. Estamos, no presente momento já que nessa crise tudo esta sendo imprevisível, ainda vivendo sob o manto das dificuldades de confiança. Portanto, o obvio é que ninguem empresta para ninguem. Pois bem. Dada essa condição tentemos clarear o quadro atual e (provável) quadro futuro para os investidores que já estão ou pretendem se aventurar no mercado importador.
Fala-se muito na exportação e, com expressiva razão, teme-se o quadro recessivo mundial. Contudo, esqueceram-se, os analistas, dos importadores. Isso é o que parece, contudo não é bem assim afinal, para crescer o Brasil importa muita matéria-prima (commodities), máquinas e equipamentos e, também, tecnologia de outros países. Como veremos os analistas não esqueceram não dos importadores. Só não estão analisando os aspectos da crise do ponto de vista deste mercado.
Quando se faz uma operação de importação, ou seja, compra de produtos lá fora, o Brasil não paga em reais mas em moedas fortes (Dolar, Euro, Ienes, etc) para o outro país produtor. O vendedor, ou seja, a empresa do outro país que exportou para o Brasil, manda o produto e recebe os dolares do governo brasileiro.
Para que o Brasil tenha dolares para dar ao fabricante dos produtos do outro país é necessário que tenha os dolares em caixa. E como o Brasil consegue esses dólares ? Através das operações de exportações. Ou seja, através da venda para o exterior. Para os países do mundo. Exatamente o processo inverso das importações.
Mantendo essa visão em foco, quando olhamos para o quadro da crise atual, vemos que os países do primeiro mundo já estão vivendo uma recessão - aliás, já anunciada desde o começo do ano (2008) -, principalmente a maior economia (compradora e vendedora de produtos) do mundo que são os EUA. Portanto, vão comprar menos do Brasil. A China, - mas não só ela, o mundo todo também - pegou carona no grande período de crescimento econômico dos EUA e cresceram como nunca arrastando todo o mundo com ela.
Nós, que vendemos matéria-prima (commodities) de todo o tipo para a China e os EUA, crescemos tambem (não tanto quanto poderíamos e deveríamos, mas…). Pagamos a nossa dívida externa e ainda criamos estabilidade no mercado interno por conta dessas vendas para esses países. Ou seja, nos inserimos no mercado mundial. Lembrando: Agora as nossas vendas para esses países vão cair. E vão cair de acordo com o aprofundamento do quadro recessivo mundial. Perderemos em preço e em quantidade. Em quantidade porque o mundo já está puxando o freio da produção e em preço por conta do combate à inflação mundial e da concorrência por mercados que forçam, invariavelmente, os preços para baixo.
Pois bem, com o quadro recessivo das economias desenvolvidas (EUA, Europa e Ásia) vamos vender menos para esses países (principalmente a China e EUA) e é aí que começam os problemas. Com a venda diminuída para fora, ficamos sem dinheiro forte (Dolar, Euros e etc) para prover o nosso caixa. O caixa do Brasil. Portanto, quem for comprar lá fora não tem dinheiro (em moeda forte) para pagar pelo produto que sería importado.
Outro problema de última hora é o diferencial entre o preço da moeda americana e o nosso Real que explodiu essa semana por conta da aversão ao risco. A taxa de câmbio. Imaginemos o seguinte: para se comprar um US$ precisamos de um R$. Portanto, até aqui, o câmbio está pareado. Se, no entanto, a taxa de câmbio aumenta, ou seja, se o US$ fica mais caro, por exemplo, se para compra um US$, agora, precisamos de dois Reais, então o comprador precisará ter mais Reais para comprar os dolares que ele precisa para adquirir o produto lá fora. Ou seja, o produto ficou mais caro para quem pretende comprar o produto importado. Isso se agrava com o dinheiro que os bancos evitam repassar na forma de crédito. Assim, o importador não pode financiar a sua compra no exterior. Quem (banco) tem dinheiro para emprestar só vai fazer isso cobrando juros altíssimos, o que encarece, no final das contas, o produto final na ponta.
Além desses problemas ainda, o importador, tem o problema do protecionismo das empresas concorrentes brasileiras dos produtos importados que fazem pressão sobre o governo para bloquear ou, pelo menos, encarecer os produtos importados através do aumento nos impostos para esses produtos.
Por fim, temos o problema da inflação que assola os países de centro provocando os aumentos de preços dos produtos lá fora.
Temos então os seguintes pontos:
1- O quadro recessivo das economias mundiáis. Portanto, aqui dentro, teremos redução de produção fazendo com que importemos menos.
2- Falta de caixa em moeda forte para pagamento ao exterior devido a diminuição das exportações.
3- Aumento da taxa cambial. Ou seja, o produto de fora ficou mais caro por causa da diferença entre US$ e R$.
4- Falta de crédito (dinheiro) na praça (bancos) para financiar a entrada do produto importado.
5- Taxa de juros exorbitante para empréstimos.
6- Aumento de preços internacionáis. Com a inflação os preços de produtos intermediários, acabados, maquinas e equipamentos lá fora ficaram mais caros.
Bom. Tudo isso quer dizer que os investidores desse mercado devem sair dele ? A resposta é um sonoro não. E por que não ? Porque o mercado interno, mesmo consumindo menos (indústrias, agricultura, lojas e consumidores finais) ainda sim continuaram consumindo. Mesmo porque o Brasil não vai entrar em recessão. Vai crescer menos, mas não vai afundar no mar das irresponsabilidades. As nossas nos sanamos com o PROER. Seremos atingido pela crise - e não será pouco -, mas temos uma solidez atual unanime entre os especialistas nacionáis e internacionáis.
O que o investidor deve saber é que será uma disputa muito acirrada pelos mercados internos e que a economia vai encolher prejudicando quem está começando ou fechando as portas para quem pensa em começar neste mercado agora.
Assim, o conselho se resume nas duas palavras mais ditas e ouvidas até hoje desde que o quarto maior banco dos EUA, o Bear Stern, quebrou em março/2008:
Cautela e Sangue-frio !!
A crise vem, mas se o governo e empresas souberem administra-la, nós saimos dessa mais que fortalecidos. Essa crise só veio mesmo para testar a nossa solidez e nos encontrará mais que preparados para ela. É só o governo e os agentes privados (empresas e famílias) fazerem o dever de casa. Corte nos gastos públicos e cautela nos gastos privados. Investimentos públicos e privados nos lugares certos. Planejamento de estado, empresas e famílias é o que basta para os próximos tres anos pelo menos.
Temos tudo para sair dessa mais fortes do que entramos !
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