Keynes na hora errada

No desespero de salvar o mercado da crise os governos estão aplicando todo o receituário keynesiano que tão duramente foi excomungado e banido do sistema de livre mercado. Contudo, na aflição de salvar o dito paciênte - o mercado - de um colapso iminente resolveram aplicar um remédio que deveria ser ministrado após a operação do dito enfermo, e NUNCA ANTES.

Explico: a critica vai no sentido de que, para Lord Keynes, o seu remédio - e todo o seu pensamento teórico - é administrado para o paciente que já sofreu o acidente e não antes de passar por ele. Keynes não recomenda medicamentos quando se está no meio de um estado convulsivo. Ou aconselha antes, para que o paciênte tenha uma vida saudável e longa, ou receita o remédio depois, caso o paciente não tenha seguido as orientações médicas. Mas nunca no meio da convulsão (ou confusão, como queiram). Ou seja, na sua “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, Keynes estabelece que só o governo pode tirar o mercado da crise pois só ele tem o volume de recursos disponível para criar uma demanda suficiente onde o mercado simplesmente não consegue gerar sua demanda por estar em um circulo vicioso de baixa (deflação por demanda). Assim, querer aplicar os recursos financeiros do Estado para auxiliar o mercado antes que este precise é jogar fora recurso indispensável para ser usado em programas sociáis que minimizem os problemas para o cidadão comum durante a crise e, ainda, adiar o inevitável: a quebradeira geral.

O procedimento óbvio - se se está pensando em usar Keynes para isso - seria esperar, infelizmente, o mercado retornar a níveis onde a taxa de lucro volte a apresentar horizontes de crescimento (o fim do poço das quebradeiras e com ele, desemprego em massa, falências, fome, guerras e por aí afora) e aí, e somente aí, aplicar-se o remédio keynesiano de entrada do Estado no mercado para gerar-se a devida demanda do crescimento.

O caminho embora óbvio de se deixar o mercado à própria sorte é, também óbvio, difícil de ser adotado pois, na guerra por ser o último a apagar as luzes do “nível de rentabilidade mundial” e sair da festa do cenário - mercado - economico, ninguem quer, simplesmente, se deixar quebrar. Ficamos então nesta sinuca economica, social e política. Econômica porque a crise somente se afasta a alguns palmos para que o ”mercado” tenha tempo de se despedir de seu patrimônio. Social porque o dinheiro do Estado pertence ao contribuinte que, no fim das contas, é quem vai pagar todas as contas do “mercado irresponsável”. E, por fim, político porque nessa “nova ordem econômica” as forças políticas entre Estado nacional e lobbys sedentos de influência de poder jogam o braço de ferro para ver quem conquista os farrapos das sobras da crise angariando pontos para o futuro do mercado.

Quem está certo ? Democratas ou Republicanos ? Acho que Jesus: “Amai-vos uns aos outros como a tí mesmo !” Manda quem pode, obedece quem tem juizo, já dizia o ditado. O mercado não ouviu o sermão da montanha russa. Agora, nem Sir Keynes ajuda, mesmo porque, ele só queria que o mercado sobrevivesse até que ele se fosse.

Afinal, “no longo prazo… estaremos todos mortos !”

 

O lucro dos juros

Com o crescimento econômico dos últimos 20 anos o comercio acabou alavancando sua rentabilidade atrelada somente aos juros. Com a guerra de preços para conquistar maior parte possível do mercado e conseguir fidelidade dos clientes, muitos, no comércio, venderam seus produtos a preços de custo. Perderam na ponta, no preço de venda do produto, mas mais que compensaram essa perda embutindo uma sobretaxa de juros às prestações que foram prolongadas além do razoavel. Agora, com a crise e os juros básicos extremamente altos, os prazos de financiamento deverão ser encurtados, no mínimo, pela metade dos praticados até o momento e as taxas de juros básicas não darão margem para sobretaxas. Logo, o mercado terciário, específicamente o comércio da ponta, perde a sua galinha dos ovos de ouro e deverá se ajustar à nova situação. Esse problema tende a inflacionar a economia pois, num mercado restrito, os lucros deverão advir do preço e não mais dos juros das longas prestações. Portanto, o comércio vai perder clientes, de um lado, por conta do desaquecimento da economia, deve elevar os preços dos produtos para compensar a perda com as prestações e sobretaxa, gerando inflação e, finalmente, perde a lucratividade das sobretaxas.

Em resumo, a crise, nessa ótica, vai fazer suas vítimas e agravar os problemas !

Esperamos que não seja tão grande as empresas que se alavancaram dessa forma. Caso contrário, essa crise vai deixar muitas sequelas.

Entra a Emoção Sai a Razão

Chegamos ao final de uma mais uma semana turbulenta no mercado financeiro mundial. E falar que chegamos ao final de semana não ajuda em nada. Desde que toda essa crise começou bancos centrais começaram a trabalhar vinte e quatro horas por dia e sete dias por semana, com a intensão de evitar maiores danos ao nosso mercado.

Pois bem, a nossa sexta já começa com uma notícia interessante: A Câmara dos deputados da Alemanha aprovou o pacote de ajuda aos bancos. Até ai nenhuma novidade, cifras astronômicas ( cerca de US$ 670 bilhões, sendo que US$ 80 bilhões estão destinados a compra de ações de bancos, segundo a Folha de São Paulo). Mais um país aderindo ao esforço conjunto para evitar maiores danos a economia.

Como disse em meu último post, o momento agora não é somente de dilemas econômicos e sim “morais” também.

Esse pacote será financiado basicamente de duas maneiras: Através da emissão de títulos do tesouro (dilema econômico) e através da arrecadação tributária (dilema “moral”).  Isso é claro para todos, nenhum governo tem condição de deixar a estrutura  de arrecadação como está quando se trata de um aumento nos gastos desse tamanho. E também não existe a mínima possíbilidade da manutençào dos níveis da dívida interna, e pior ainda se resolvem mandar uma mensagem a casa da moeda dizendo “preciso de mais das de cem” os efeitos colaterais podem ser monstruosos.

Mas o propósito aqui e ser um pouco divergente (e meio que assumo a posição de advogar pelo diabo aqui no blog) da opinião geral. O título do post foi proposital, essa é um chavão entre os juristas ” Quando entra a emoção sai a razão” e é oq ue estamos vivenciando sobre as de cisões dos bancos centrais.

Como, querendo ou não, somos contribuintes, temos a tendência de adotar discurssos inflamados  sobre a utilização das receitas  provenientes de impostos de forma plena pelo governo. Temos também a tend6encia de olhar o sistema financeiro como uma máquina sem coração, visando sempre o lucro, mas temos que ver que as coisas são mais complexas e menos mundanas do que parecem.

É fato que tudo isso aconteceu porque o mercado se descontrolou de uma forma nunca vista, adotamos o parametro de que quando erramos somos punidos e que, já que os homens dos mercados erraram eles tem que pagar, mas será que só eles pagariam? Acredito que não.

É impossível comparar situaçõs diferentes, e programas diferentes. A situação atual demanda as atitudes tomadas pelas autoridades econômicas, deixar tudo quebrar seria a morte a nossa economia, pois os bancos são responsáveis por emprestar o dinheiro e fazer, quer goste ou não, a economia girar. Com um processo de falencia generalizado não estariamos simplesmente dando a culpa justa aos bussines mens mas estariamos colocando o nosso bem-estar e futuro em risco.

Mas e o nome do texto o  que tem a ver comt udo isso? É bem simples, discutimos com a nossa emoção, reagimos a situação e esqeucemos de olhar o cenário global o racional é aceitar que essa é a melhor saída para a situação atual. Um remédio amargo, mas que pode ter retorno positivos.

Mercado Importador

Algumas coisas devem ser entendidas. Estamos, no presente momento já que nessa crise tudo esta sendo imprevisível, ainda vivendo sob o manto das dificuldades de confiança. Portanto, o obvio é que ninguem empresta para ninguem. Pois bem. Dada essa condição tentemos clarear o quadro atual e (provável) quadro futuro para os investidores que já estão ou pretendem se aventurar no mercado importador.

Fala-se muito na exportação e, com expressiva razão, teme-se o quadro recessivo mundial. Contudo, esqueceram-se, os analistas, dos importadores. Isso é o que parece, contudo não é bem assim afinal, para crescer o Brasil importa muita matéria-prima (commodities), máquinas e equipamentos e, também, tecnologia de outros países. Como veremos os analistas não esqueceram não dos importadores. Só não estão analisando os aspectos da crise do ponto de vista deste mercado.

Quando se faz uma operação de importação, ou seja, compra de produtos lá fora, o Brasil não paga em reais mas em moedas fortes (Dolar, Euro, Ienes, etc) para o outro país produtor. O vendedor, ou seja, a empresa do outro país que exportou para o Brasil, manda o produto e recebe os dolares do governo brasileiro.

Para que o Brasil tenha dolares para dar ao fabricante dos produtos do outro país é necessário que tenha os dolares em caixa. E como o Brasil consegue esses dólares ? Através das operações de exportações. Ou seja, através da venda para o exterior. Para os países do mundo. Exatamente o processo inverso das importações.

Mantendo essa visão em foco, quando olhamos para o quadro da crise atual, vemos que os países do primeiro mundo já estão vivendo uma recessão - aliás, já anunciada desde o começo do ano (2008) -, principalmente a maior economia (compradora e vendedora de produtos) do mundo que são os EUA. Portanto, vão comprar menos do Brasil. A China, - mas não só ela, o mundo todo também - pegou carona no grande período de crescimento econômico dos EUA e cresceram como nunca arrastando todo o mundo com ela.

Nós, que vendemos matéria-prima (commodities) de todo o tipo para a China e os EUA, crescemos tambem (não tanto quanto poderíamos e deveríamos, mas…). Pagamos a nossa dívida externa e ainda criamos estabilidade no mercado interno por conta dessas vendas para esses países. Ou seja, nos inserimos no mercado mundial. Lembrando: Agora as nossas vendas para esses países vão cair. E vão cair de acordo com o aprofundamento do quadro recessivo mundial. Perderemos em preço e em quantidade. Em quantidade porque o mundo já está puxando o freio da produção e em preço por conta do combate à inflação mundial e da concorrência por mercados que forçam, invariavelmente, os preços para baixo.

Pois bem, com o quadro recessivo das economias desenvolvidas (EUA, Europa e Ásia) vamos vender menos para esses países (principalmente a China e EUA) e é aí que começam os problemas. Com a venda diminuída para fora, ficamos sem dinheiro forte (Dolar, Euros e etc) para prover o nosso caixa. O caixa do Brasil. Portanto, quem for comprar lá fora não tem dinheiro (em moeda forte) para pagar pelo produto que sería importado.

Outro problema de última hora é o diferencial entre o preço da moeda americana e o nosso Real que explodiu essa semana por conta da aversão ao risco. A taxa de câmbio. Imaginemos o seguinte: para se comprar um US$ precisamos de um R$. Portanto, até aqui, o câmbio está pareado. Se, no entanto, a taxa de câmbio aumenta, ou seja, se o US$ fica mais caro, por exemplo, se para compra um US$, agora, precisamos de dois Reais, então o comprador precisará ter mais Reais para comprar os dolares que ele precisa para adquirir o produto lá fora. Ou seja, o produto ficou mais caro para quem pretende comprar o produto importado. Isso se agrava com o dinheiro que os bancos evitam repassar na forma de crédito. Assim, o importador não pode financiar a sua compra no exterior. Quem (banco) tem dinheiro para emprestar só vai fazer isso cobrando juros altíssimos, o que encarece, no final das contas, o produto final na ponta.

Além desses problemas ainda, o importador, tem o problema do protecionismo das empresas concorrentes brasileiras dos produtos importados que fazem pressão sobre o governo para bloquear ou, pelo menos, encarecer os produtos importados através do aumento nos impostos para esses produtos.

Por fim, temos o problema da inflação que assola os países de centro provocando os aumentos de preços dos produtos lá fora.

Temos então os seguintes pontos:

1- O quadro recessivo das economias mundiáis. Portanto, aqui dentro, teremos redução de produção fazendo com que importemos menos.

2- Falta de caixa em moeda forte para pagamento ao exterior devido a diminuição das exportações.

3- Aumento da taxa cambial. Ou seja, o produto de fora ficou mais caro por causa da diferença entre US$ e R$.

4- Falta de crédito (dinheiro) na praça (bancos) para financiar a entrada do produto importado.

5- Taxa de juros exorbitante para empréstimos.

6- Aumento de preços internacionáis. Com a inflação os preços de produtos intermediários, acabados, maquinas e equipamentos lá fora ficaram mais caros.

Bom. Tudo isso quer dizer que os investidores desse mercado devem sair dele ? A resposta é um sonoro não. E por que não ? Porque o mercado interno, mesmo consumindo menos (indústrias, agricultura, lojas e consumidores finais) ainda sim continuaram consumindo. Mesmo porque o Brasil não vai entrar em recessão. Vai crescer menos, mas não vai afundar no mar das irresponsabilidades. As nossas nos sanamos com o PROER. Seremos atingido pela crise - e não será pouco -, mas temos uma solidez atual unanime entre os especialistas nacionáis e internacionáis.

O que o investidor deve saber é que será uma disputa muito acirrada pelos mercados internos e que a economia vai encolher prejudicando quem está começando ou fechando as portas para quem pensa em começar neste mercado agora.

Assim, o conselho se resume nas duas palavras mais ditas e ouvidas até hoje desde que o quarto maior banco dos EUA, o Bear Stern, quebrou em março/2008:

Cautela e Sangue-frio !!

A crise vem, mas se o governo e empresas souberem administra-la, nós saimos dessa mais que fortalecidos. Essa crise só veio mesmo para testar a nossa solidez e nos encontrará mais que preparados para ela. É só o governo e os agentes privados (empresas e famílias) fazerem o dever de casa. Corte nos gastos públicos e cautela nos gastos privados. Investimentos públicos e privados nos lugares certos. Planejamento de estado, empresas e famílias é o que basta para os próximos tres anos pelo menos.

Temos tudo para sair dessa mais fortes do que entramos !

O começo do fim 2

Uma bela explicação das ideologias que movimentaram o mundo no último século e que de fato estão envolvidas nesta crise.

É realmente claro e confirmado que as tendências neoclássicas são falhas, baseado em premissas que não se pode confiar. A crença de que o livre mercado e a mão invisível irão gerar um ponto de equilíbrio na função lucro/trabalho é um erro que todos aqueles que vivem no mercado globalizado capitalista tendem a crer e se sentir enganados quando a crise vem a tona. A pior parte é ver a crença cega que essas pessoas têm que no curto prazo tudo vai melhorar, e infelizmente não vai.

É fato também que o mercado, mesmo tendo suas regulamentações legais, encontra brechas e assim começa o descontrole. Vale lembrar aqui a sábia passagem de Margarido que sempre disse que o engenho uma é uma coisa sem limite, e os contratos sempre tendem a se proteger deste engenho. Mas, a assimetria de informação e o oportunismo são coisas que fazem parte do dia a dia de qalquer sistema econ6omico, e por isso que Keynes ( o maior economista do último século ) tem a sua tese posta em xeque.

Agora serei muito político, pois sabes que não é pessoal a crítica, e que mesmo concordando com tudo que foi dito econômica e culturalmente falando a coisa é mais complicada.

Marx, como estudante das teorias econômicas, fez um retrato transparente, irrevogável e definitivo sobre o que é o capitalismo, suas bases e suas desigualdades.

É natural do capitalismo a criação da desiguldade, e isso vêm da sua formação. Quando lá ne velha e antiga Bretanha começaram a ocorrer os cercamento e coisas do tipo, e desde entào vivemos em um mundo que a base é a desigualdade e individualismo.

Mas Marx, incrível teórico, desenvolveu planos políticos e grande parte deles foram colocados em prática, mas nenhum surti o efeito esperado. Assim como Keynes, Marx não contava que o desejo de individualidade humana sumplantasse o instinto coletivo. É fato que para essa crise Marx mais uma vez está certo, mas isso são base para justificativas do que já passou, olhamos agora para um cenário “caótico” onde não só questões econômicas estão sendo tratadas e sim questões morais também.

Estamos no momento em que vivemos a história e somos peças para faze-la. Nào devemos simplismente olhar para os grandes nomes e falar é de fato eles estavam certos, e sim, com a ajuda deles nos tornarmos grandes nomes.

A burrice do preconceito

Outro dia numa conversa entre estudantes de economia perguntaram-me qual a minha tendencia ideológica e eu disse: “Sou comunista !”.
Essa frase bastou para que o meu interlocutor respondesse de pronto: “Deus me livre !”. Contudo, sei que ele nunca leu “O Capital”, não conhece os preceitos e premissas do marxicismo e, muito menos, do capitalismo ao qual defende. Nunca leu Adam Smith, Ricardo ou mesmo Walras e Marshall (o que dirá Jevons). Então me peguei pensando que, essa pessoa, de boa indole e excelente pessoa (sei porque convivo frequentemente no ambiente academico com ela) nasceu pós queda do muro de Berlim. Nunca teve a chance de ter opções - quiçá escolhas. Nunca tomou, portanto, contato com outras teorías. Assim, o seu “pré conceito”, vem de seu meio e de sua educação.

Ora, em outros tempos, o estudante - e principalmente de economia - devería ter muita coragem para admitir o contrário. Ou seja, de que sua tendencia ideológica era pelo “Livre mercado”. Daí poderíam me dizer: “Mas isso já faz séculos !” O engraçado é que as coisas mudaram tão rapidamente que pouco mais de 20 anos bastaram para que o “Deus me livre !” fosse invertido.

No entanto, o que mais me incomoda no momento é a idéia em sí do “pré conceito”. Afirmo que o dito é uma burrice em sí mesmo já que, pelo cansaço do pensar por sí, adotamos pensamentos (conceitos) de terceiros. Esta, portanto, seria a primeira burrice. A segunda, e mais grave ainda, está em não se avaliar que a pessoa da qual adotamos o conceito “pode estar completamente errada” ao passo que nos tornamos coniventes com uma mentira. A mentira, por sua vez, distorce a realidade fazendo com que enveredemos por caminhos que não nos levarão ao contato mais intimo com os objetivos mais nobres do homem, que sejam: Felicidade, harmonia, realização, liberdade.

Assim, quando se estabelece uma realidade calcada na mentira, não enganamos a nós mesmo ou aos que estão à volta. Traímos, em última instância, a toda busca da humanidade.

Portanto, que sejamos Marxicistas ou Marshalianos, o que importa é sermos verdadeiros em nossas posições. Sermos esclarecidos em nossas idéias para que possamos caminhar sempre para a verdade.

Se errarmos, pelo menos que sejam os nossos próprios erros e jamais erros de outros !

O caso Odebrecht

Estou ouvindo muitos elogios da atitude que o Brasil está tendo com o caso da Odebrecht.

Pois bem, vamos lá para alguns esclarecimentos.

O BNDES não pode financiar projetos em outros países. O que acontece é que o dito banco financiou as obras da usina San Francisco no Equador. Ou seja, emprestou dinheiro à empreiteira para financiar o projeto. Agora o Equador, com ou sem razão, não importa, ameaça dar um calote no BNDES dependendo do resultado da análise de uma auditoria. Aí o Brasil diz, faz e acontece ! Bom, pergunto eu, se o BNDES não pode emprestar para financiamento de obras para outros países, se o ativo é com a empreiteira, o que é que, nós contribuintes, temos que ver com o Equador ou com suas referidas obras ? Para mim a coisa está muito clara, se a Odebrecht não vai receber do seu cliente o problema é dela e do cliente e não do BNDES e, por tabela, nosso. Assim pois, que se cobre da empresa que levou o financiamento. Nem Brasil, nem Equador, nem nós contribuintes temos nada a ver com o caso. A Odebrecht paga o que deve e que se resolva com o seu cliente. Estamos, pois, no livre mercado. Querem agora socializar o prejuízo por conta de empresa que tem problemas com seus clientes ? Se eu, contribuinte, for no BNDES pegar mil reais e não pagar vou ser executado com todo o peso da justiça. No entanto, esta sra empresa se arroga o direito de dizer que o crédito é internacional !!! É cara de pau ou não é ? Tanto do governo quanto da empresa. E eu é que vou pagar a conta ou tomar calote. Essa é muito boa !!!

O começo do fim

Tentando escrever para a abertura do blog me peguei repensando em todo o quadro da crise. E quanto mais eu depurava o pensamento mais nas ideologias eu pensava. Chegamos, pois, a tres idéias basicas. Tres fios condutores das teorias que se colocam nessa crise:

- A teoria neo-classica, onde tudo é controlado pela “mão invisível” do mercado. Pelas forças do livre mercado. Vale dizer, o mercado sozinho se regula, ou seja, não permite que as coisas se degringolem ao ponto de uma crise - seja ela grave ou não. Ou ainda, que as crises são evitadas antes que elas aconteçam uma vez que, como os “geneticamente” proplemáticos serão eliminados assintosa e sistemáticamente pelos agentes do mercado, os agentes não poderão se tornar grandes o suficiente para perturbar o mercado e serem geradores das crises.

- O pensamento keynesiano que entende que as forças de mercado, embora sejam auto-reguladoras, podem se regular sim, mas a um nível baixo demais para o pleno-emprego que, diga-se de passagem, é o fundamento de todo pensamento teórico economico. O pleno-emprego deve ser atingido porque é ele que traz todos os benefícios para os seres humanos. Eleva o produto para o bem estar das pessoas. Deve-se sempre ter em conta que as pessoas - e não máquinas (capital) - que devem ser pensadas enquanto teoria. Assim, o estado de pleno-emprego se justifica. E só pode haver pleno emprego quando as crises não se instalam. Portanto, Keynes entendia que só quando o sistema financeiro é direcionado para a produção de pleno-emprego é que o mercado é beneficiado. Assim exige-se, portanto, que os mercados financeiros sejam extremamente bem regulados e vigiados constantemente. Um detalhe: a constante vigilância se justifica porque, mesmo dentro da lei - e estamos vendo isso nesta crise - os mercados podem arrumar meios e brechas legais para que o capital se desvie do sistema produtivo para o sistema puramente financeiro-especulativo e, portanto, desviando-se do objetivo do pleno-emprego.

- E, não menos importante, o pensamento marxista, onde as crises são explicadas pela mecânica da acumulação do capital. Do desequilíbrio que existe entre as forças de produção e os meios de produção tendendo, para este último, o resultado do pleno-emprego. Em outras palavras, para Marx, os donos dos meios de produção sempre tendem a tirar uma parte dos ganhos no processo de produção para sí. Para seu próprio benefício. Portanto, para seu próprio uso do produto resultante da produção. Como esse excedente se estende para além do necessário para a subsistência - e luxúria - do dono do meio de produção, este tende a reinvestir a sua sobra nos próprios meios de produção ampliando, assim cada vez mais, a acumulação do excedente produzido. Por esta visão, alcança-se o pleno-emprego, contudo, os benefícios são tendentes a uma pequena parcela da população. Nesse processo de acumulação os mercados são exauridos e se tem a crise, pois a acumulação tende, até por intuição podemos ver isso, a criar uma divisão de classes: Os explorados e os exploradores. Fica obvio que, a qualquer momento, os explorados tendem a se rebelar. A solução para esses problemas geradores tanto de crises sistemicas e periódicas e, ao mesmo tempo, distribuir os produtos resultantes dos processos de produção é que nenhum agente privado tenha a posse dos meios de produção. Aparece então a figura do estado que, sob sua tutela, restaura o equilíbrio planejando e direcionando os processos de produção e os bens necessários ao pleno-emprego com uma distribuição equitativa do produto.

Tendo essas tres teorias em mente, vamos rever o quadro da crise:

1- A crise se instaurou num ambiente de livre-mercado. Portanto, a premissa de que em um mercado livre os agentes causadores das crises são eliminados parece que não foi bem sucedida.

2- Os agentes provocadores da crise foram aqueles que estavam financiando todo o crescimento anterior à crise gerando as bolhas nos mercados. Logo, foram os mercados regulados que se auto-desregularam e descambaram nessa crise. A princípio Keynes estava certo. Contudo, para onde iriam os mercados produtores quando já estavam globalizados ? Invariavel e lamentavelmente teriam de ir para o mercado financeiro, pois não havia mais mercados a explorar, o que nos leva à outra teoria.

3- A coisa mais interessante (pelo menos enquanto escrevemos este artigo) é que todas as medidas adotadas vêm da teoria marxista. Se não, vejamos: Estatização de bancos, o estado planejando e entrando massivamente na economia e os prejuízos socializados. Logo, podemos concluir que, para os pensadores do sistema capitalista, Marx estava certo.

Contudo, a crise ainda não acabou.

Portanto, fiquemos atentos para as cenas dos próximos capítulos dessa sopa de ideologias.

Enquanto isso fica aqui uma pergunta:

Que ideologia é essa que, quando se trata de salvar um sistema claramente desigual, provocador de crises, que não consegue se manter com sua própria ideologia, se apoia em qualquer outra só para livrar a sua pele, o capitalismo, onde até Marx está valendo ?

Minha resposta hobiana: “O homem como lobo do homem !” E isso não tem nada a ver com ideologias e sim com vergonha na cara !

Que fique registrado que, na presente crise, os malefícios provocados foram tão profundos que as medidas adotadas podem ainda ser consideradas anemicas. Contudo, corretas. Simplesmente não havia mais o que fazer. Era intervensão ou morte.

Registro aqui tambem, uma analise para pós-crise: Os mercados, após as crises, tendem a se fechar. Portanto, o protecionismo deve ser a tônica para daqui uns 2 ou tres anos ! Outro fator a ser mencionado é de que, com as medidas adotadas para salvamento do sistema financeiro, o sistema capitalista deixou claro que “quanto maior voce for, mais importante - e inquebravel - voce será”, portanto, parece claro que haverá um movimento monopolístico nos próximos anos e, é claro, será gerador de crises mais constantes, maiores e mais profundas.

Como disse, aguardemos as cenas dos próximos capitulos ! Talvez estejamos vendo o início do fim do sistema capitalista. Pelo menos como o conhecemos !